Por Ana Paula Yajima – Diretora Pedagógica do Colégio Santa Úrsula

O que é o Novo Ensino Médio?

Uma escola que dialogue com a realidade atual, que se adapte às necessidades dos estudantes e os prepare para viver em sociedade e enfrentar os desafios de um mundo do trabalho dinâmico: essa é a proposta do novo Ensino Médio.

As escolas de nível médio devem garantir, através do seu currículo, os conhecimentos necessários para enfrentar a transição para a vida adulta, seja pela continuação dos estudos de nível superior, pelo ingresso no mercado de trabalho, seja pela vida em comunidade.

Para isso, o novo sistema propõe um modelo de ensino mais flexível, que dê autonomia ao estudante para construir seu caminho de aprendizagem junto à escola. À escola caberá o desafio de dialogar mais com esse estudante, promovendo e possibilitando o desenvolvimento dele em uma perspectiva integral.

A mudança

E para focar nestes desafios, a Lei nº 13.415/2017, alterou as Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu mudanças na estrutura do ensino. Além de ampliar o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais, o novo sistema define uma organização curricular mais flexível e adota uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece um currículo comum obrigatório para todos os alunos. As redes e escolas terão até 2022 para se adaptar à nova legislação.

Mas, o que é o Novo Ensino Médio?

É uma reformulação que visa contemplar as competências do século XXI, incentivando o protagonismo, a autonomia e o engajamento por parte dos estudantes. O Novo Ensino Médio é resultado de uma alteração na LDB, que envolve a ampliação da carga horária mínima nas escolas e a reestruturação do currículo escolar.

Com essa reformulação, o tempo mínimo nas escolas vai de 800 horas para mil horas anuais, totalizando, ao final dos três anos, 3 mil horas. Antes da reforma, a carga horária total era equivalente a 2.400 horas.

E a BNCC?

Além disso, a legislação propõe um currículo mais flexível, pautado nas orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nos itinerários formativos, que oferecem aprofundamento em conhecimentos escolhidos pelos alunos.

Na prática, o que muda?

  1. Ampliação da carga horária (antes era de 2.400 horas, para 3 mil horas ao longo dos 3 anos do segmento). Desse total, 1.800 horas devem ser destinadas às exigências da BNCC, enquanto 1.200 horas devem ser destinadas para os itinerários formativos;
  2. A Reforma do Ensino Médio não exclui nenhuma disciplina do currículo escolar. Isso é assegurado pelas diretrizes da BNCC, que apresenta orientações para a elaboração de um currículo comum obrigatório;
  3. No entanto, BNCC não é organizada por disciplinas, e sim, por áreas do conhecimento. São elas: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Assim, as disciplinas poderão ser organizadas de diferentes formas pela escola e a abordagem delas deve se conectar via interdisciplinaridade;
  4. As escolas têm liberdade para organizar o ensino dos conteúdos, o que abre espaço para novos formatos de aula, atividades interdisciplinares, projetos e oficinas. Além disso, saiba que os conteúdos de Português, Matemática e Inglês são obrigatórios para os três anos do segmento, a partir dessa reformulação.

Muito importante reforçar: o novo Ensino Médio não exclui nenhuma disciplina. A atual proposta da BNCC mobiliza conhecimentos de todos os componentes curriculares e torna seu desenvolvimento obrigatório, permitindo que a escola organize a forma de ensino de acordo com as particularidades de seus estudantes.

O que são os Itinerários Formativos?

Envolvem situações de trabalho escolhidas pelos alunos, como disciplinas, projetos, oficinas, laboratórios e núcleos de estudo. Em outras palavras: os alunos terão a oportunidade de escolher em quais conhecimentos desejam se aprofundar, dentro de um conjunto que o colégio oferecerá.

Projeto de Vida

E para auxiliar os estudantes nestas escolhas, o colégio será responsável por realizar o Projeto de Vida junto aos discentes. Serão espaços de diálogo para avaliar interesses, desenvolver habilidades como autonomia, responsabilidade, pensamento crítico, dentre outras atividades. O Projeto de Vida é sistematizado, intencional, com carga horária definida e trabalhará três dimensões do estudante: pessoal, social e profissional. A partir do Projeto de Vida o estudante poderá fazer as suas escolhas de forma segura e responsável.

 

Assim sendo, o Novo Ensino Médio impactará no desenvolvimento do estudante, pois além de serem incentivados a explorar novas competências, eles poderão estudar as disciplinas que mais possuem afinidade.

Para nós, enquanto escola, os desafios passarão por reestruturação da grade e atividades curriculares, planejamento para atender às novas demandas de uma carga horária estendida, estratégias para driblar a sobrecarga do aluno e um plano de ação para esse processo de adaptação ao novo modelo escolar. E faremos isto de forma gradativa e sustentada de modo a garantir a segurança das escolhas de todos os nossos estudantes que, já em 2022, iniciarão este processo.

Nesse momento, é de suma importância esta ponte para o diálogo entre estudante e família com a equipe pedagógica, visando compreender as transformações e contribuir com suas percepções e anseios. São tempos de construção. E contamos com todos para juntos pavimentarmos uma nova educação – com o olho no futuro e o coração voltado ao acolhimento e à humanização.

Vamos juntos?!