PEDRO

Por Pedro Hermes – Coordenador DEFE/CSU

O ESPÍRITO OLÍMPICO E O PROTAGONISMO JUVENIL: SUOR, MEDALHAS E A PANDEMIA

        Os Jogos Olímpicos são o evento esportivo mais desejado por atletas profissionais, é o que mais produz audiência ao longo do globo e, por conta deste último tópico, atrai a atenção e a cobiça de inúmeros patrocinadores. São reunidos os melhores atletas de inúmeros países em disputas épicas para atingir recordes, superar a si mesmo ou o seu adversário. Todos buscam a glória da vitória e da conquista de uma medalha olímpica!

                As Olimpíadas de 2020, em Tóquio, que estão acontecendo em 2021, por motivos óbvios, além dos tradicionais debates, palpites e cornetadas sobre quem vencerá as provas mais tradicionais do atletismo, da natação, quais seleções vão dominar os esportes coletivos, trazem-nos também histórias e episódios dignos de grandes roteiros, quebra de paradigmas, abrindo portas para a constatação de como o esporte, reflexo da sociedade, vem se apresentando.

            Nesta edição dos jogos, é notório o destaque para os atletas mais jovens. Podemos citar o surfe de Ítalo Ferreira (27 anos), a Ginástica de Rebeca Andrade (24 anos) e o caso mais emblemático, Raíssa Leal (13 anos). São três exemplos marcantes desse protagonismo juvenil no ambiente esportivo e que está presente em todas as esferas de atuação.

        Como já mencionamos, o fenômeno esportivo, o qual em Olimpíadas se agiganta e ganha maiores holofotes, é mecanismo e instrumento para erguer bandeiras e levantar temas que necessitam ser abordados, como as causas feministas e a busca incessante por oportunidades de se desenvolver de forma igualitária em qualquer cenário, bem como o repúdio a todo ato de racismo. Cabe ainda conceder um destaque a algo necessário e bastante profundo como a delegação olímpica de refugiados. Possivelmente não serão os Jogos Olímpicos dos sonhos, com inúmeras quebras de recordes, mas temos grandes vitórias humanitárias para contar.

       Ao realizar uma competição dessa magnitude, ainda durante a Pandemia de covid-19, todos entendem os riscos, os impactos positivos e negativos, e que o nível de vários atletas não será, nem de longe, o melhor possível. Considerando que os treinamentos neste período foram potencialmente prejudicados, o abismo que já existe entre potências esportivas, os emergentes e aquelas nações que sofrem com o subdesenvolvimento social (e obviamente não poderia ter outra realidade esportiva) só cresce. A Pandemia atingiu a todos, mas não se vive igualmente, e isso também é retratado no universo esportivo!

           É válido ressaltar que este texto não tem por objetivo dizer se é certo ou errado realizar os Jogos Olímpicos em 2021. Mas é importante atentar sempre aos impactos e aos dados, pois, além de alguns recordes olímpicos, há também recorde de contaminados em um dia na cidade sede. De acordo com os dados da OMS, divulgados pelo jornal americano The New York Times, a última semana resultou numa explosão de novos casos de covid-19. Sabemos que se trata de um evento do esporte de altíssimo rendimento, com contratos milionários. Por isso, diante da lógica vigente, as cifras são os prós perfeitamente sustentáveis. Pelo visto temos que apostar na boa vontade dos deuses do Olimpo e torcer para que a pouca sabedoria de alguns não nos cause ainda mais perdas irreparáveis.