Marisa Massumi Rapuano marisa@ursula.com.br

Por Marisa Massumi – Supervisora de Educação Socioemocional

Mindfulness na escola: benefícios para Alunos e Professores

            O bem-estar de alunos e professores foi impactado nos últimos meses. Em sala de aula, costumamos solicitar calma, foco e atenção, mas é preciso sugerir  o caminho.

            Percebemos que a paz interior e a atenção são essenciais para a execução de qualquer trabalho. Sendo assim, não podemos prescindir desses dois agentes, principalmente no contexto atual, em que fatores internos e externos  causam pressão em nosso dia a dia escolar.

Podemos potencializar a atenção e o bem-estar por meio de práticas muito interessantes se colocadas em nossa rotina. E uma delas chama-se atenção plena (mindfulness), a qual tem se tornado cada vez mais frequente no Brasil e no mundo. Sabe-se que ela ajuda o estudante a aprimorar a atenção em classe, a lidar melhor com suas emoções e a adquirir maior habilidade nas inter-relações sociais. Para entendermos esses efeitos, precisamos saber primeiro o que é atenção plena e como ela atua, gerando, assim, consequências desejáveis para estudantes e educadores.

Jon Kabat Zinn

Praticar a atenção plena é uma habilidade muito simples, mas, para alguns, não é tão fácil como parece à primeira vista, pois é preciso ter disciplina e regularidade. Jon Kabat Zinn iniciador de programas de mindfulness nos Estados Unidos, sustenta a seguinte tese: mais do que uma técnica, ela é uma maneira de ser e de buscar estar em sintonia com a própria experiência do momento presente com aceitação e serenidade.

É importante ressaltar que essa atividade não deve ser obrigatória, pois isso, além de contraproducente, seria contrário à própria essência da prática:  estado de presença com autocompaixão, gentileza e sem o ato de  julgar os pensamentos que surgem inevitavelmente. Essas atitudes são, portanto, fundamentais para o nosso bem-estar mental, emocional, físico e social.

            Pesquisas científicas das últimas duas décadas conseguiram demonstrar que a atenção plena produz modificações fisiológicas que se refletem na psicologia da cognição e no processamento emocional, constituindo um exemplo das influências recíprocas entre o corpo e a mente.

O ato de focar a atenção de forma voluntária promove modificações nos circuitos que a sustentam e no córtex do cíngulo anterior, o que aumenta a habilidade de permanecer consciente do momento atual: a capacidade de estar realmente presente e não perdido em divagações. O efeito benéfico sobre a atenção pode ser observado já com poucos dias de prática. Como resultado, ocorre também  o aperfeiçoamento da memória operacional, o que pode levar, por exemplo, à melhora do desempenho escolar.