Patrícia Bandeira

Por Patrícia Bandeira – Psicóloga Escolar do Colégio Santa Úrsula

Felicidade em Tempos de Pandemia: é possível?

O que te faz Feliz? Para você, o que é Felicidade? Quem de nós nunca se pegou pensando sobre essas perguntas ou tendo que respondê-las a alguém? E ao sermos surpreendidos com tais indagações acabamos muitas  vezes respondendo de modo genérico e/ou pessoal  uma vez que o sentido de felicidade varia para cada pessoa, ao mesmo tempo que existe um senso comum sobre o que deveria nos fazer feliz.

O filósofo  Aristóteles traz o conceito de eudaimonia, que não se refere à felicidade propriamente, mas a capacidade de plena realização do ser humano em todos os seus papéis e funções, levando em consideração questões como, virtude e moralidade.

A maioria das pessoas entende que felicidade é ter: dinheiro, saúde, amor, etc…A ONU (organização mundial das nações unidas) comemora o dia internacional da felicidade todo dia 20/03 desde 2013, ela defende a felicidade como um acelerador do desenvolvimento humano e social.

 

Vivemos um momento muito difícil em virtude da pandemia do coronavírus, com perdas de vidas, seja de pessoas que conhecemos ou não e isso acaba por implantar uma fragilidade, um medo que algo  ruim aconteça conosco ou com alguém que amamos. Você pode está se perguntando o porquê de falarmos sobre esse sentimento exatamente nesse momento.Existe espaço para felicidade agora?A resposta é SIM, precisamos pensar na vida para além desse período que estamos passando.

Mesmo em uma época que nos remete a sofrimento e dor precisamos trazer a pauta o debate sobre felicidade, não a felicidade tóxica(onde está tudo bem o tempo todo), negando o caos que se instalou mundo afora, nem tão pouco devemos embarcar na meritocracia da felicidade, com pensamentos do tipo: “Ah mas tem gente que está sofrendo mais do que eu”, não dá pra fingir que está tudo bem, precisamos respeitar como cada um tem se sentido. E nos esforçarmos para trazermos à nossa memória o que nos faz bem, é preciso mais do que nunca cuidarmos de nossa saúde mental.

Quando pensamos sobre a Felicidade, muitos de nós trazem consigo crenças equivocadas sobre este sentimento.

Quantas vezes  nos pegamos pensando:

“Estou muito feliz ,algo ruim irá acontecer”;

“Não mereço ser feliz”;

“Estou sorrindo demais, terei raiva”.

Muitas vezes a gente tem tanto medo da felicidade que nos tornamos sabotadores dela, e isso tem na maioria dos casos a ver com o contexto sociocultural o qual estamos inseridos. 

Podemos e precisamos treinar nosso cérebro para reestruturar esse tipo de pensamento. Algum tempo atrás acreditava-se que existisse uma inflexibilidade cerebral e que nosso cérebro não poderia mudar após a adolescência, hoje após algumas pesquisas bastante criteriosas no campo da neurociência compreendemos que nosso cérebro possui plasticidade estrutural e nossa capacidade de crescimento intelectual passou a ser igualmente moldável. 

Martin Seligman considerado o pai da Psicologia Positiva iniciou esse movimento de reestruturação de pensamento onde através de seus estudos e pesquisas diz que: “se você mantiver o foco e o pensamento em situações positivas terá mais chances de se tornar uma pessoa feliz”.  A felicidade é um estado de espírito, um hábito, uma decisão. 

Seligman fragmentou a  felicidade em três itens mensuráveis: prazer, envolvimento e senso de propósito. Quem vive apenas a busca pelo prazer experimenta apenas partes dos benefícios da felicidade.

Precisamos nos educar emocionalmente, a maior parte de nós mal sabe o que nos faz feliz. É necessário que nos façamos algumas perguntas como:

“O que me deixaria orgulhosa(o) de mim mesma(o)?”

“O que me traria a sensação de plenitude?”

“O que me faz feliz?”

Eu seu livro : “O Jeito Harvard de ser Feliz” Swamn Achor- professor de Harvard e estudioso sobre os benefícios da felicidade, nos revela uma importante informação:

“…foram realizadas meta-análises de pesquisas sobre felicidade que reuniu mais de 200 estudos científicos envolvendo 275 mil participantes e revelou-se que a felicidade leva ao sucesso em praticamente todos os âmbitos da nossa vida, inclusive: casamento, saúde, amizade, envolvimento comunitário, criatividade e, em particular, nosso emprego carreira e negócios.” Ou seja, a felicidade leva ao sucesso e realização não o contrário.

Gratidão, resiliência, e a compaixão quando praticadas de forma sistemática e intencional também contribuirão para a nossa felicidade.

Adquirir coisas pode nos deixar satisfeitos, mas não felizes de verdade. A verdadeira felicidade está ligada ao ser e não ao ter. 

Ser Feliz é viver bem do jeito que somos, com o que temos, com o que fazemos e com as pessoas que nos relacionamos, precisamos exercitar a autocompaixão, autoaceitação, o autoperdão e aos poucos irmos nos libertando do que nos impede de viver a experiência plena  da felicidade.

Como você está  se tratando? 

Referências 

 

ACHOR, Shawn; WOODCOCK, Neil.O Jeito HARVARD de ser Feliz. 7. ed.São Paulo; Saraiva, 2015.

SELIGMAN, Martin E.P. Felicidade Autêntica: Usando a nova Psicologia Positiva para a realização permanente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Dia Internacional da Felicidade. ONU, 2013. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/57163-dia-internacional-da-felicidade-20-de-marco-de-2013/> Acesso em: 29/03/2021.