Esther Silverio Mendes esther@ursula.com.br

Por Esther Mendes – Psicóloga Escolar

A INTERFACE DA NEUROCIÊNCIA COM A EDUCAÇÃO

A Neurociência considerada uma das mais recentes e admiráveis ciências, teve estudos científicos iniciados no século XIX pelos estudiosos Hitszig e Fritsch, tendo por objeto de estudo o cérebro. Porém, somente no século XXI a Neurociência alcançou sua maior relevância ao ampliar as investigações a todo Sistema Nervoso Central e Periférico que se interligam e dialogam através das redes neurais em circuitos elétricos constantes, configurando e processando várias funções importantes no desenvolvimento global do ser humano. Trata-se das dimensões afetivas, cognitivas, psicomotoras e comportamentais. Portanto o sistema complexo da neurociência envolve a estrutura anatômico-fisiológica, o funcionamento e as patologias do sistema nervoso.

As áreas do conhecimento mais cruciais para a aprendizagem são: linguagem, inteligência, aspecto sensório perceptivo, memória, funções visual-motoras e executivas. Todas estas com reverberação no córtex cerebral através de fibras e feixes neurais que percorrem as diversas partes do corpo humano.

EricKandel

 Segundo Eric Kandel em seus escritos: “Somos quem somos por causa do que experimentamos, lembramos e aprendemos”.

Sendo assim, é possível claramente trazer contribuições da Neurociência para entender e ampliar melhor aquilo que os principais teóricos da educação, como: Piaget, Wallon, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Alicia Fernandez, já nos traziam no escopo em suas teorias, o conteúdo biológico e o organismo como fundamental para possibilitar o aprendizado. Portanto, os saberes entrelaçam-se na compreensão de como o cérebro aprende e de que forma é possível otimizar as potencialidades dos alunos dentro do ambiente escolar. O sujeito cerebral/aprendente deve ser visto como pensante que necessita de desafios e provocações que estimulem constantemente a sua análise, planejamento, organização, raciocínio, criticidade, criatividade, para executar ações adaptadas ao contexto de aprendizagem. Este processo todo deve acontecer mediante o prazer – ao encontrar significado naquilo que está sendo aprendido. O aluno deve ser tratado como sujeito único na pluralidade da sala de aula.

Sendo assim os dispositivos tecnológicos juntamente com as metodologias ativas, um ambiente familiar saudável e preconizado com diversos estímulos, a saúde nutricional e o sono, desenvolverão performances com êxitos em diferentes áreas do conhecimento.
Para saber mais, segue sugestões de leitura:

Neurociência e Educação – como o cérebro aprende – Leonor B. Guerra e Ramon M. Cosenza. Artmed, 2011.

Por que os alunos não gostam da escola? – Daniel Willinghan. Artmed.

Revista Neuroeducação – Editora Segmento.